segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Defesa de Tese de doutorado

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA
Linha de Pesquisa em Filosofia Antiga e Medieval

Defesa de Tese de Doutorado
A DIALÉTICA E AS LETRAS.
IMAGENS E PARADIGMAS DO PENSAR NO FEDRO DE PLATÃO.
Doutorando:
FÁBIO DA SILVA FORTES

Dia 19 de agosto de 2019, às 14h00
Sala 4094 – FAFICH / UFMG
Banca:
Prof. Jacyntho Lins Brandão, UFMG
Profa. Maria Cecília Leonel Gomes dos Reis, UFABC
Prof. Fernando Décio Porto Muniz, UFF
Prof. Fernando Rey Puente, UFMG
Profa. Miriam Campolina Diniz Peixoto, UFMG (Orientadora)

Resumo:
O debate que o diálogo Fedroinstaura sobre a escrita e a dialética, além de manter viva uma discussão de grande importância para a filosofia contemporânea – os limites e as possibilidades da relação entre filosofia e linguagem – é também objeto de uma reflexão que não demonstra perda de vitalidade entre estudiosos de Platão. Afinal, na perspectiva da filosofia platônica, seria o escrever inimigo do pensar? Poderíamos afirmar, por intermédio da crítica que emerge na primeira camada de significação do mito de Theuth (274b-278b), que existe aí uma contraposição forte entre duas dimensões da linguagem – a dimensão da oralidade e a da escrita – e, por conseguinte, a eleição inequívoca da primeira, como o modo adequado à expressão dialética? Procurando contribuir para esse debate, iluminando, particularmente, as possíveis convergências e dissidências entre o universo das letras e da dialética no âmbito da obra de Platão, especialmente a partir do Fedro, esta tese pretende colaborar, lato sensu, para o debate sobre os limites e as possibilidades da linguagem para a expressão do pensamento filosófico. Stricto sensu, destacam-se, como objetivos: 1) reavaliar o problema da escrita em Platão, tendo por base as reflexões contidas especialmente no Fedro, relacionando-as à pluralidade de temas com os quais mantêm relação no âmbito do próprio diálogo (a retórica, a dialética, a memória, a psykhéérosetc.); 2) em relação de contiguidade com o item anterior, observar em que medida as reflexões em torno das letras (γράμματα) e da escrita (γραφή) podem ser compreendidas a partir das noções de imagem (εδωλον)  e paradigma (παράδειγμα) e como elas colaboram para a formulação da noção de dialética (διαλεκτική). A nossa hipótese é que a escrita não somente assoma no Fedro como um reflexo do debate histórico em curso em Atenas a partir de meados do século V a.C., em relação ao qual Sócrates teria apresentado uma velada censura, mas configura também, para Platão, um tema de caráter filosófico. Queremos mostrar que, ao longo do diálogo, enquanto se busca responder às perguntas: a escrita pode ser bela? Se sim, em que condições?, vai-se também além de uma resposta que estaria, digamos, no limite de uma “ética do escrever” para o filósofo. Assim, os recursos próprios do universo da escrita – as letras – são também tomados como elementos através dos quais se formula e se pode compreender filosoficamente a noção de dialética associada à divisão (διαίρεσις) e reunião (συναγωγή), de modo que as letras e a escrita se tornam no texto platônico não somente imagens, mas também paradigmas para a determinação do pensar filosófico.


sábado, 3 de agosto de 2019

VII SIEA


VII Simpósio Internacional de Estudos Antigos.

Releituras da Filosofia Antiga na Patrística.


Inscrições abertas a partir do dia 15 de agosto.

Visite o site do evento, inscreva-se e se informe sobre o programma das conferências, palestras e mini-curso clicando no link abaixo da imagem.



sábado, 15 de junho de 2019

Congresso da SBEC 2019


   

        O XXII Congresso da SBEC, com o tema Antiguidade: Desejo e Liberdade, se realiza em Juiz de Fora, Minas Gerais, sob a égide de Virgílio, que aos inconfidentes cedeu o lema e o verso para comunicar o imorredouro desejo humano por liberdade.
Face à efemeridade dos poderes constituídos, a Resistência encontra na arte, na filosofia, na literatura os meios para perpetuar sua mensagem e transmitir seu valor a outras gentes, em outras horas em que a luta representa a única alternativa ao jugo.
Sêneca ensina a nós todos o que escreveu em carta a Lucílio: “O que é necessário para que sejas bom? Querer.. Ora, o que de melhor podes querer do que te arrancares desta escravidão, que a todos oprime? (...) O bem que é a liberdade, terás tu de dá-lo a ti mesmo, de o reclamar a ti mesmo!” (Ep. 80, 4-5: Quid tibi opus est ut sis bonus? uelle. Quid autem melius potes uelle quam eripere te huic seruituti quae omnes premit? (...) tibi des oportet istud bonum, a te petas.).
Neste setembro de 2019, desejamos que nós, classicistas, tenhamos fibra para resistir e transmitir, pela singular historicidade de nossa cátedra, alguma perseverança diante dos ciclos autoritários que volta e meia se apresentam e rápido fenecem, somando à memória indelével de nossa cultura a luz maravilhosa do clamor por liberdade.


Mais informações? Clique aqui!

quarta-feira, 13 de março de 2019

Lançamento


O convite para preparar o volume dedicado a Sônia Viegas na coleção “BH Perfis”, representou um grande desafio para mim. Não se tratava de reconstituir uma biografia em sentido estrito, mas um perfil. Tratava-se de reportar flashessignificativos, pontos de luz, de evidenciar as superfícies reflexivas e mostrar algumas das muitas faces de sua vida. Além disso, motivava-me o fato de que seria o primeiro volume desta coleção dedicado a uma mulher, cuja vida se desenrolou de modo pleno em todas os âmbitos que sua condição comportava, como filha, esposa, mãe, professora e amiga.
Ao nos debruçamos sobre o extraordinário legado de Sônia, conservado nos mais diferentes tipos de suportes materiais e de registros, a dificuldade inicial foi a de traçar o caminho a ser percorrido na redação deste perfil. Textos, artigos, comentários, gravações, ao lado de um número significativo e expressivo de testemunhos e depoimentos de pessoas que conviveram com ela nos mais diferentes campos em que se desenrolou sua atividade profissional e sua vida cotidiana, além de um epistolário que em nada deixa a desejar quando comparado aos demais registros. Constituímos um volume significativo de notas, de vívidas impressões e intuições, ao qual se somaram as nossas lembranças pessoais do pouco tempo que convivemos com Sônia. O plano da obra foi se impondo por si mesmo ao longo da leitura desse material, e aos poucos foi ganhando forma como caminho aquele de apresentar o percurso de formação da Sônia e de seu pensamento, e de mostrar a importância de sua atividade na universidade e na vida cultural de Belo Horizonte.
O nosso desejo foi o de proporcionar aos que não a conheceram, aos que não tiveram a oportunidade de conviver com ela, um ponto de partida para estabelecer um primeiro contato com essa figura ímpar da história de Belo Horizonte, além de possibilitar àqueles que a conheceram a descoberta do itinerário ao longo do qual se gestou sua concepção da filosofia e de seu ensino.
Pela rememoração do diálogo vivo que sempre manteve com todos os que dela se acercavam, diálogo animado e enriquecido pela travessia de milênios de história da filosofia, tradição pela qual ela transitava com agilidade e perspicácia, é possível identificar o fio de Ariadne que nos leva até Sônia. É igualmente possível reconhecer as fontes que lhe inspiraram em cada um dos campos em que desenvolveu sua reflexão filosófica. E é possível, ainda, evocar sua enorme capacidade de atuar como interlocutora, como coadjuvante na abordagem das questões de nosso tempo. E Sônia não dialogava apenas com os grandes pensadores e tradições filosóficas de cada época, mas também, e com não menor atenção, com as várias formas de expressão da cultura, de expressões artísticas, das mais clássicas às mais recentes, das artes plásticas ao cinema e à literatura. E, ainda, ela se deixava interpelar pelas múltiplas performances e experiências humanas captadas à sua volta, que, uma vez captadas pelas sua sensibilidade, eram apropriadas e tornadas matéria para o seu pensamento, objetos fecundos de interrogação e de reflexão.
Com sua atividade de professora, Sônia imprimiu a sua marca no ensino de filosofia na universidade, ao mesmo tempo que, transcendendo os seus muros, fez com que essa experiência chegasse até àqueles que se encontravam distantes do seu cotidiano, abrindo assim uma via de acesso à experiência filosófica para a comunidade de Belo Horizonte. E, como consequência natural, ela aumentou a capilaridade da filosofia praticada na academia, tornando-a mais permeável aos apelos conscientes ou inconscientes que pressentiu à sua volta, e que tão bem soube captar e encaminhar à reflexão através de seus cursos, seminários, conferências e artigos de jornal. Ela concebia a filosofia como a expressão de um processo de “maturação histórica da humanidade”, e, cônscia de sua potência, ela quis oferecer, a todos que se mostravam sensíveis ao seu pathos, a oportunidade de experimentar o intenso sentimento de humanidade e de prazer que essa mesma filosofia é capaz de proporcionar em seu ato de reflexão.
A experiência do filosofar se equiparava, para os que conviveram com Sônia, ao trágico-épico e necessário itinerário de Riobaldo Tatarana pelas veredas do grande sertão roseano. Sônia pretendia proporcionar aos seus interlocutores uma ocasião para se lançar na travessia empreendida por Riobaldo, de modo a suscitar o desejo de ressignificar suas experiências existenciais, de encontrar uma maneira diversa de considerar suas questões, de equacionar sua vida por meio de representações que lhes conferissem sentido, e lhes permitissem, enfim, criar a partir delas “obras e monumentos poéticos”. Como ela dizia, “transformar uma tal experiência em representações e em obras é criar os monumentos poéticos da história da humanidade. Vivenciá-la em palavras é fazer filosofia” (VIEGAS, 1988).
Miriam Campolina Diniz Peixoto

sábado, 9 de março de 2019

Jornada

O Grupo de Pesquisa Retórica e Argumentação - FALE-FAFICH/UFMG-CNPq convida:
Jornadas de Retórica e Argumentação
 Diálogo, Retórica e Competição na Poesia Popular do Nordeste 


Connie Bloomfield 
(King´s College - Londres)
 14 (quinta-feira) de março de 2019, de 10 às 11h15
Auditório Sônia Viegas/FAFICH-UFMG



Connie Bloomfield pesquisa o uso da mitologia greco-romana na poesia popular brasileira. Connie possui bacharelado em Letras Clássicas pela Universidade de Oxford, mestrado em Literatura Comparada pela Universidade de Cambridge e é doutoranda no King’s College, sob orientação de Edith Hall e Justine McConnell.

Jornadas de Retórica e Argumentação
O objetivo das Jornadas reunir, periodicamente, estudiosos de retórica e análise do discurso, docentes e discentes, a fim de divulgar os trabalhos desenvolvidos na UFMG e em outras instituições nacionais e internacionais, em diferentes áreas de conhecimento ligadas à retórica (filosofia, direito, letras, história, comunicação, entre outras). Buscamos promover o debate interdisciplinar, a partir da cooperação de diversos especialistas, além de dar visibilidade a representantes dos principais grupos de retórica e áreas afins no Brasil, e, na medida do possível, a pesquisadores de universidades estrangeiras. O evento, promovido pelo Grupo de Pesquisa Retórica e Argumentação, é coordenado pelas professoras Maria Cecília de Miranda Nogueira Coelho (Presidente da Associação Latino-Americana de Retórica, 2015-8), da Fafich, e Helcira Maria Rodrigues de Lima (Presidente da Sociedade Brasileira de Retórica, 2017-8) , da Faculdade de Letras (Fale). As Jornadas começaram em 2014 e foram interrompidas durante os períodos de afastamento para Pós-doutorado das coordenadoras, de 1/2016 a 1/2017, sendo retomadas em setembro de 2017, com palestras mensais durante o semestre letivo.

Defesa de Tese de doutorado

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA Linha de Pesq...